Blogama 10 Anos – A eleição de Paulo Goyaz

Na foto: Flávio Raupp, Gerson Vieira, Paulo Goyaz, Carlos Macedo e o goleiro Alencar

O Gama caminhava a passos largos rumo à série C. Problemas técnicos, financeiros, políticos e a ausência do Bezerrão fizeram o Periquito ruir. em meio a tudo isto estava uma eleição para a Diretoria Executiva que definiria o presidente para o período de 2009 a 2012. O presidente da época era Carlos Macedo, funcionário declarado de Wagner Marques.

Eu como torcedor do Gama sequer sabia que haviam eleições no clube. Acostumamos a ver sempre Wagner Marques lá no seu camarote como a mente pensante do clube. Se o time ia bem, ele apoiava até com premiações. Se o time fosse mal, o técnico que se cuidasse porque certamente já havia algum substituto já apalavrado. E foi com surpresa que pela primeira vez nós vimos uma disputa declarada pelo poder no clube.

Para quem não sabia, o conselho do Gama era formado apenas por pessoas próximas ao Wagner. Muitos sequer sabiam onde ficava o Bezerrão. E para surpresa de alguns, a Diretoria apostou no nome de Paulo Goyaz para comandar a chapa da situação. Goyaz que se promoveu politicamente quando foi advogado do Gama na briga contra a CBF em 1999.

Mas aquele ano parecia ser diferente. Com o Gama rebaixado, a oposição resolveu se unir para disputar a eleição. Normalmente o pleito é realizado no dia 15 de novembro, mas a chapa da situação vendo que a oposição estava se articulando espertamente adiantou a data em um mês. Isto depois de várias reuniões com conselheiros “puro sangue” a fim de evitar um embate político.

Vendo que o acordo estava longe do fim (ainda mais por causa da manobra da situação), Antônio Alves do Nascimento Neto (Tonhão) representando os demais conselheiros locais decidiu impugnar a chapa da situação na justiça. Goyaz se manifestou dizendo que Tonhão “só queria tumultuar”. E lançou um desafio: “Ganho dele hoje, mês que vem ou qualquer outro dia”. Curioso que ambos disseram contar com o apoio do então governador José Roberto Arruda.

Na época Tonhão abriu fogo contra Wagner e Goyaz: fez duras críticas a Wagner Marques acusando-o de fazer manobras ilegais: “Ele (Wagner Marques) quer deixar o Gama depois de 17 anos, mas não pretende sair sem dinheiro. Por isso está prestes a colocar alguém disposto a pagar a conta a ele. Ou seja, dar um jeito de devolver o dinheiro que ele diz ter gastado com o time”, disparou. Além disso Tonhão desqualificou o atual candidato da situação, o advogado Paulo Goyaz à presidência do clube dizendo que ele não tinha tempo de casa suficiente exigido para o cargo: “Todos sabem que é preciso estar associado ao clube por, pelo menos, nove anos junto ao Conselho Consultivo. O Paulo entrou não tem seis”. O ex-dirigente também acusou a atual diretoria de convocar para o pleito somente sócios favoráveis à Goyaz deixando de fora os Conselheiros Puro Sangue.

Sem acordo Tonhão entrou na Justiça Comum pedindo a impugnação da chapa de Goyaz, mas não obteve êxito. Assim no dia 15 de Outubro Paulo Goyaz contou com o boicote dos demais Conselheiros e foi eleito com 53 votos. Em seu discurso de posse, Goyaz prometeu patrocínios da Gerdau (gigante do ramo de construções), Odebrecht e parceria com o Grêmio-RS. Nada disso saiu do papel.
No poder, Goyaz tentou inovar com a implementação do projeto sócio-torcedor. Também foi o primeiro presidente a fechar com a até então desconhecida Super Bolla para fornecimento de uniformes para o clube. Porém o dirigente se desgastou demais com a torcida na tentativa de emplacar o plano de sócios. De quebra foi pivô da negociação da antiga sede social com a Tecnisa. Sem apoio e nem conquistar nada, Paulo Goyaz renunciou ao cargo de Presidente no dia 13 de Junho de 2011 com mais um ano de mandato pela frente. 

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