Blogama 10 Anos – Gama cai para a série D

Edson Vieira chegando para comandar o Gama na série C

A inédita eliminação do Gama na primeira fase do Candangão 2010 ainda ecoava na cabeça dos torcedores gamenses. Com o Departamento de Futebol em frangalhos e o clube atolado em dívidas, o presidente Paulo Goyaz chegou a cogitar uma eventual desistência da série C. Porém fora alertado por auxiliares que a torcida não perdoaria tal “covardia”. Com pouco dinheiro em caixa e um campeonato brasileiro à frente, os planos do Periquito seriam bem modestos.

Oriundo do futebol paulista, Edson Vieira seria o treinador escolhido para comandar o Gama na terceirona. À princípio os clubes que disputariam o Campeonato pareciam mais amenos do que a temporada anterior, o que alimentou os sonhos da torcida para um eventual retorno à série B. A apresentação do elenco ocorreu no dia 22 de maio com alguns nomes que chamariam a atenção como o goleiro Fernando Vizotto (São Bento-SP), o meia Doda (Noroeste-SP e que viria a ser o principal jogador do clube), além dos atacantes Bachin (Guarani-SP) e Paulinho Macaíba (Botafogo-PB). Pivô da confusão que eliminou o clube no estadual, o goleiro Alencar permaneceu no elenco assim como o volante Ferrugem, os laterais Elivelto e Dudu Gago, o meia Tallys e o atacante Paulo Renê.

A preparação foi muito diferente das tradicionais. O treinador ordenava os jogadores a fazerem embaixadinhas com bolinhas de plástico,  corridas em espaços reduzidos. Mal começou a pré-temporada o Gama recebeu uma bomba: perdeu o volante Ferrugem para o arquirrival Brasiliense na justiça por atraso de salários. Nos amistosos, um bom sinal, o time realizou dois amistosos contra o Vila Nova e empatou ambos (1×1 no OBA e 0x0 no Bezerrão, este último marcado por uma briga generalizada entre as torcidas fora do estádio). A estréia no campeonato seria diante do Macaé-RJ no estádio Bezerrão.

Uma goleada na estreia pela série C expôs o planejamento ruim do Gama para o Campeonato

Com bola rolando, o Periquito foi aniquilado em casa pelo time carioca por de 4×1 . Nem é preciso dizer que o resultado caiu como uma bomba para a torcida que esperava uma resposta imediata. O Gama repatriou o atacante Jonhes e receberia na próxima rodada o Ituiutaba-MG (atual Boa Esporte) em casa. Mas quem esperava uma vitória, se deu mal: O Gama não passou de um empate sem gols diante do time mineiro e se afundou na lanterna.

Sem resultados positivos, a torcida ficou na expectativa por uma eventual demissão de Edson Vieira. Porém não foi o que aconteceu. A diretoria manteve o treinador paulista e logo na rodada seguinte o time enfrentaria o novato Luverdense no interior do Mato Grosso. O time mais uma vez foi presa fácil e acabou sofrendo sua segunda derrota na competição por 2×0, e a crise estava de volta. Desta vez não havia clima para segurar Edson Vieira no comando do clube. O treinador foi demitido e num ato de desespero o Gama repatriou Heriberto da Cunha, técnico que ficou marcado por salvar o Gama do rebaixamento em 2005.

Gama perde para o Luverdense em Lucas do Rio Verde e entregou um ponto para o adversário jogando em casa

Na rodada seguinte o Gama viajou para o interior de São Paulo e arrancou um ponto fora de casa diante do Marília com um empate por 2×2. O resultado deu uma sobrevida à torcida que sonhava com uma arrancada na tabela e já sonhava com os três pontos na volta para casa quando receberia o Luverdense. E estava quase cumprindo seu objetivo até que aos 35 minutos do segundo tempo o Luverdense com um jogador a menos em campo marcou o gol de empate em uma falha bisonha do goleiro Alencar. Hostilizado pela torcida, o goleiro pediu demissão. O clube aproveitar para fazer uma “limpa no elenco” mandando pra rua nada menos que sete jogadores.

Sem conseguir vencer o Gama foi enfrentar o Ituiutaba no interior mineiro e conseguiu um ponto sofrido no empate por 0x0. Restavam apenas dois jogos e o Gama teria um jogo de seis pontos com o Marília em casa. Uma vitória colocaria o Gama na frente do time paulista e ajudaria a buscar a salvação no último jogo fora de casa contra o Macaé-RJ fora de casa. Porém o time mais uma vez não convenceu e Gama e Marília ficaram no 0x0.

O resultado fez com que o Gama não dependesse mais de suas próprias forças para evitar um novo descenso. O Gama precisaria de uma vitória a qualquer custo em Macaé e ao mesmo tempo teria que torcer por uma derrota do Marília-SP. Neste meio tempo o fundador do Gama (Tim) morria. A matemática era complexa: O Gama folgaria na penúltima rodada e o Marília na última. O Marília precisaria perder e o Gama vencer. O Marília até “fez a parte dele” sendo derrotado em casa. Mas o Gama acabou perdendo para o Macaé por 3×1 e assim sacramentou o seu rebaixamento para a série D, a última divisão do campeonato brasileiro.

Gama perde última partida e cai para a série D

 Assim que o rebaixamento foi sacramentado, o cronista Remy Soares fez uma análise dos fatos que culminaram com o rebaixamento: “Está provado que uma grande empresa, uma grande instituição e um grande time de futebol precisam de homens de pensamentos equilibrados, com pinceladas de competência, seriedade e de amor. Em se tratando de time de futebol é preciso que eles vistam o uniforme da equipe e se juntem aos sentimentos dos torcedores e lutem para fazer o melhor pelo clube, no caso, a Sociedade Esportiva do Gama.

Lamentavelmente não foi o que aconteceu com os dirigentes do Gama nos últimos anos. Eles foram pequenos diante da história do clube e do sentimento de uma comunidade que hoje está triste, muito triste com as tardes de domingos vazias ao redor do Bezerrão.

Durante o campeonato da Série “C” não encontrei motivos para produzir as minhas crônicas. Fiquei preocupado ao ver no time do Gama jogadores sem a menor postura de equilíbrio emocional e com isso perdiam jogadas fáceis de serem transformadas em gol, a exemplo do que aconteceu no jogo contra o Marília, aqui, no DF. Era só fazer o gol da forma mais simples possível. No entanto, o atleta buscou o caminho mais difícil e perdeu a chance de nos livrar da degola. Aquele atleta teve participação direta no nosso rebaixamento, pois, dentro de campo a culpa dos atletas pelos resultados obtidos é bem superior à culpa dos dirigentes.

 

 

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