Blogama 10 Anos – A última série B

Gama perde para o Paraná-PR em casa e sela o rebaixamento para a série C. Foto: Jornal de Brasília

Eu e Serginho cobriríamos a primeira série B do Gama pelo Blogama. Ainda dependendo exclusivamente de informações de jornais e sites especializados, íamos aos jogos e falávamos de como o time se portava em campo.

Depois do quarto lugar no Campeonato Candango (uma das piores colocações do Gama dos últimos tempos), esperava-se que o alviverde desse a resposta na Série B marcada para o segundo semestre. Apesar dos resultados ruins o técnico Ademir Fonseca fora mantido no cargo (justificadamente na minha opinião. Ademir realmente não era o culpado pelos resultados ruins do time). Só que bastou o início da temporada para os primeiros problemas começarem. Primeiro foi a penosa saída do zagueiro Ozéia (baita zagueiro que se destacou no Gama e se mandou para o exterior). Depois a saída do atacante Ésley para o Barueri-SP. Para completar o atacante Bebeto que estava emprestado ao Avaí-SC se recusou a retornar ao Gama (e quando voltou estava fora de forma). O grupo do candangão foi praticamente remontado para a série B.

Jogadores se apresentando para pré-temporada da série B

Aquele ano foi atípico para o Clube. Sem poder contar com a força do Bezerrão que estava em reformas, o jeito foi seguir no Mané Garrincha – estádio que fica longe do Gama. Para completar o Gama estava sob o comando da GOL (empresa que controlava o futebol do clube) e em plena época de eleições internas. E o início do Verdão no Campeonato não poderia ser pior: em quatro jogos com Ademir no comando foram quatro derrotas incluindo uma sonora goleada por 5×1 para o Fortaleza. A derrota para o ABC-RN em casa por 2×0 foi a gota d’água para os dirigentes do Gama que decidiram pela demissão de Ademir Fonseca.

Para o seu lugar foi contratado o experiente Roberto Cavalo que já havia comandado o Gama em outras oportunidades. E o Periquito reagiu no campeonato com boas vitórias sobre a Ponte Preta-SP e o CRB-AL. A melhor parte foi a vitória no clássico diante do arquirrival Brasiliense por 1×0 que levou a torcida ao delírio. Parecia que as coisas voltariam a se encaixar. Parecia. Mas aí surgiu um fato que criou um ambiente ruim no Gama: um empresário alugou o alviverde para manter dois jogadores em atividade (os volantes David Henrique e Aragoney). A crise começou quando Aragoney e David Henrique, titulares absolutos da equipe, não puderam ser utilizados porque um foi fazer testes na França e o outro já estava vendido para o Feyenoord da Holanda. Sem a dupla, o Gama perdeu o meio de campo e 4 jogos consecutivos. O entra e sai no clube era constante (86 jogadores foram contratados e dispensados pelo clube) e o time não conseguia manter um padrão de jogo. As derrotas fizeram Cavalo balançar no cargo. Para completar o Gama trouxe de volta o empresário Jair Rabelo, conhecido por trazer discórdia em clubes de futebol.

Mais uma vitória sobre o rival e a torcida desenhando “Gama” com fogos

Depois de montar o grupo do Operário-MT que disputou e foi eliminado na série C, Jair Rabelo voltou a fazer parte da direção do Gama.  Depois da derrota para o Avaí, o presidente Carlos Macedo defendeu veementemente que Cavalo estava assegurado no cargo mesmo em caso de derrota para o Juventude-RS. Mas por trás dos panos, Jair Rabelo contactou uma agência especializada para contratar um técnico a fim de substituir Cavalo em caso de nova derrota. Cavalo soube por meio de amizades o ocorrido. Contrariado, escondeu até a escalação do time titular para Wagner Marques antes do jogo. Após a vitória, Cavalo falou para a imprensa o que soube e pediu demissão. Em reunião com Wagner Marques sem a participação de Jair Rabelo, ficou combinado que o técnico somente ficará até o jogo contra o Vila Nova. Só não iria embora imediatamente por amizade ao grupo e à torcida.

Pivô da saída de Cavalo, Rabelo então contratou Flávio Barros ex-CSA-AL para comandar o time. A mudança gerou também uma reformulação na equipe. Depois de uma derrota para o América-RN viria uma sequência de três vitórias que deram um certo alívio na torcida. O Gama fechou o primeiro turno em 13º lugar na tabela de classificação.

Gama vence Fortaleza em casa e Gama volta a sonhar com a permanência na série B

No segundo turno o Gama voltou a alternar bons e maus momentos. A coisa começou a “feder” após a goleada sofrida por 5×0 para o Corinthians no Pacaembu que levou a diretoria a levantar suspeitas sobre o trabalho do treinador. A derrota para o ABC-RN por 4×1 foi a última sobre o comando de Flávio Barros. O Gama então iria para o seu terceiro técnico no Campeonato: Gelson Silva. Mas a passagem de Gelson no Gama durou apenas cinco jogos. A derrota para o Brasiliense no returno do campeonato fragilizou a situação do Periquito na tabela. Finalmente a derrota em casa para o São Caetano foi a gota dágua para os dirigentes gamenses e o fim da linha para Gelson.

Mas como dizia o ditado, não há nada tão ruim que não possa piorar, o Gama decidiu repatriar o ex-preparador físico Jean Cláudio juntamente com Cristiano Baggio para comandar o clube na reta final do campeonato. A dupla causou uma debandada de jogadores que ajudou a desestabilizar ainda mais o barco alviverde. Depois de uma suada vitória sobre o Marília, o Gama emendou uma sequência de quatro derrotas consecutivas. Sem poder de reação e com vários problemas internos, o Gama selou o rebaixamento para a série C perdendo em casa para o Paraná Clube. Seria a última série B do Gama até os dias de hoje.

Debaixo de chuva e com o estádio vazio, Gama se despede da série B

A última partida foi pura melancolia. Diante de um Mané Garrincha vazio (apenas 83 torcedores compareceram), o Gama empatou sem gols diante do Bahia e deu adeus ao Campeonato Brasileiro da série B. Restaria ao Gama a disputa da série C sob o comando de um novo presidente, já que Paulo Goyaz havia sido eleito para comandar o Gama no período de 2009 a 2012.

Leia abaixo um pequeno balanço final feito por mim no BLOGAMA após o jogo contra o Paraná-PR onde justifiquei os fatos que fizeram com que o Gama fosse rebaixado para a série C:

“Matematicamente o Gama ainda tem chances de permanecer na série B mas isto nem passa pela cabeça da maioria dos torcedores realistas. Sem padrão de jogo e precisando vencer o Gama decepcionou mais uma vez em casa ao perder de forma melancólica para o Paraná ontem.
Embora seja triste, o desastre já vinha sendo anunciado não é de hoje. O Gama desde que subiu à série B em 2005 vinha se segurando para não cair. Exceção apenas em 2006 quando Vanderlei fez a torcida sonhar com novo acesso ao fazer boa campanha.
Em 2005 Maia salvou o alviverde de um rebaixamento certo ao vencer as últimas partidas que lhe restavam. O Sport, último derrotado naquele ano quase foi rebaixado à série C. O mesmo Sport aprendeu com aquele episódio, hoje está na série A e vai disputar a libertadores do ano que vem.
Em 2007 Val Baiano e Bebeto precisaram vencer a última partida em casa diante do Vitória para que o Gama não caísse à série C.
Neste ano o Gama voltou a cometer os mesmos erros do passado. A começar pelo estadual onde trocou todos os jogadores mais uma vez. A campanha foi um desastre. O Gama chegou a frequentar a zona de rebaixamento no candangão, um fato inédito até então. No final um suado quarto lugar tirou a possibilidade do Gama disputar a Copa do Brasil.
Chegaria então a série B deste ano e logo de cara a declaração infeliz do Superintendente Wagner Marques dizendo que “ficar na série B para o Gama já seria um grande negócio”. Era o princípio do caos.
O candangão acabou e nada do time para o brasileiro ser anunciado. Ainda perdeu o destaque Ésley para o Barueri. Restando apenas uma semana para o início da série B os jogadores foram contratados.
E que jogadores: Goleiros: Donizeti, Luis Henrique, Cristiano e Yuri;
Laterais: Digão, Thiaguinho, Lucas, Ademar e Rodrígo Ítalo;
Zagueiros: João Vitor, Pedro Paulo, Mauro; Gustavo, Fred;
Volantes: Neto, Lucas, Emerson e Cléber Gaúcho;
Meias: Thiago Bezerra, Kel e Fernando Diniz;
Atacantes: Maia, Dendel, Gioino, André Borges, Bebeto, Adriano Magrão, William, Julio Cezar
Com este time o Gama começou o campeonato perdendo para o Barueri. De lá pra cá mudou-se de técnico cinco vezes.
Do time inicial apenas Donizeti, Luis Henrique, Thiaguinho, João Vitor, Pedro Paulo, Maia, Dendel, André Borges e Bebeto continuam no time.
Negociações estranhas e avessas à situação do time ocorreram no Gama. Bebeto que disputou o catarinense no Avaí só chegou ao Gama um mês depois do encerramento de estadual, desmotivado e fora de forma. A estrela solitária Adriano Magrão foi emprestada para um time da Turquia porque não aceitou ser reserva. Tiago Bezerra também foi embora para o exterior. Mas o cúmulo foi o episódio do jogador David Henrique. O atleta já negociado foi “plantado” no Gama para mantê-lo em atividade enquanto a janela de transferências internacionais não abria. Pelo aluguel o Gama recebeu um bom dinheiro.
O volante Aragoney também foi dispensado no meio do campeonato para fazer testes no exterior. Gioino nem chegou a jogar por causa da documentação. Roberto Santos ficou mais de um mês parado pela mesma causa e quando jogou não marcou um gol sequer. Danilo Santos veio para jogar mas com a desculpa do clima foi embora do Gama.
Quando a bagunça parecia completa, a coisa piorou com a chegada do empresário Jair Rabelo para tomar conta do futebol do Gama. Como de praxe Jair colocava somente jogadores de seu interesse na equipe para valorizá-los e revendê-los. Do Anápolis veio o atacante Dinei que mesmo sem balançar as redes era intocável, gerando grande insatisfação no grupo.
O empresário só foi mandado embora depois de um episódio macabro. A pedido de Luiz Estêvão (já que o empresário já tinha uma passagem por lá) Jair Rabelo fez contato com um jogador do CRB oferecendo-lhe dinheiro para entregar o jogo para o jacaré que estava capengando no campeonato. A informação vazou e Wagner Marques o dispensou.
Wagner e Cia também tiveram problemas com a federação e com o GDF. Arruda queria que o Gama brigasse pelo menos para permanecer tendo em vista o esforço feito para que o DF fosse uma das sedes da copa de 2014. Tudo em vão.
Por último, mesmo com o restante da diretoria clamando para que Risada fosse o técnico no lugar do defenestrado Gelson Silva, Wagner e Macedo apostaram tudo no aprendiz de técnico e preparador físico Jean Cláudio. Em uma fase decisiva do campeonato, com o elenco rachado e enfrentando feras do futebol, o resultado não poderia ser outro. Uma vitória, dois empates e cinco derrotas.
Agora a torcida pergunta: Qual será o futuro do Gama? O novo estádio espera uma equipe que represente a comunidade à altura de suas tradições. “

 

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