Comparando o modelo de gestão do Gama e da Chapecoense

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

A Chapecoense foi fundada em 10 de maio de 1973 enquanto o Gama em 15 de novembro de 1975. O clube catarinense vive o auge de sua história de 43 anos e iria participar de sua primeira final de uma competição internacional, quando o avião que levava a delegação sofreria um grande desastre na Colômbia.

A cidade de Chapecó/SC tem 200 mil habitantes (o Gama tem cerca de 170 mil. O “Verdão do Oeste”, chamado oficialmente de Associação Chapecoense de Futebol, nasceu da fusão entre dois clubes desativados, o Independente e o Atlético Chapecó. O Gama também adota o verde e o branco como cores oficiais e foi fundado por um barbeiro.
Enquanto a Chapecoense conquistou o título estadual pela primeira vez em seu quarto ano de existência (1977) e disputou a Série “A” do Brasileirão em 1978 e 1979, o Gama conquistou seu primeiro Candangão após 3 anos de vida (1979), participou da Série “A” em 1979 e da Série “B” em 1980, e conquistou seu primeiro título da região Centro-Oeste em 1981.

Gama sobe e “Chape” fica
 
A década de 1980 foi ruim para as duas equipes, mas o Gama teve um novo alento em 1990, ao conquistar seu segundo Candangão e tomou novo rumo após o empresário Wagner Marques assumir o clube. Com Marques o Gama levantou o caneco local em 1994, 1995, 1997 e 1998 – ano em que conquistou a Série “B” do Brasileirão, permanecendo na elite nacional entre os anos de 1999 a 2002 – e voltando a ser campeão do Candangão em 1999, 2000, 2001 e 2003. Entres os anos 2003 a 2009 ficou perambulando entre as séries B e C do Campeonato Brasileirão.
Por sua vez, a Chapecoense obteve pouco destaque na década de 1980 até meados de 1990, quando conquistou os títulos estaduais de 1996 e 2007. Aí é que está a diferença na gestão dos dois times alviverdes, a Chapecoense fez o dever de casa e se profissionalizou enquanto o Gama mergulhou no amadorismo com dirigentes às vezes até bem intencionados, mas agindo como se estivessem à frente de uma quermesse junina.
Chape” sobe e Gama desce 
A Chapecoense participou em 2009 da primeira edição da Série D e conseguiu o acesso para a terceira divisão, onde ficou por três anos. A promoção para a Série B ocorreu em 2012, e no ano seguinte a equipe foi vice-campeã da segunda divisão, subindo para a Série A de onde nunca mais saiu. Ainda conquistou o título estadual nos anos de 2011 e 2016.
Em três temporadas na elite do futebol nacional, a Chapecoense conseguiu fazer campanhas relativamente seguras e se manter entre os 20 melhores do país. Na edição de 2016, faltando uma rodada para o fim do campeonato ocupava a nona posição, a melhor campanha de sua história (a melhor campanha do Gama foi em 1999, quando ficou com a 14ª colocação) e chegou a uma inédita final de Copa Sul-Americana, após ter eliminado o Cuiabá e os tradicionais Independiente e San Lorenzo, da Argentina. Na decisão, enfrentaria o Atlético Nacional, melhor time das Américas em 2016, mas o sonho foi interrompido pelo acidente aéreo.
Modelos de gestão fazem a diferença 
Com orçamento modesto, a Chapecoense conseguiu alcançar a elite do futebol brasileiro com uma administração eficiente e controlada. As decisões são tomadas por grupo: Cada gestor explana sobre sua área e ouve para saber o que está acontecendo nas outras diretorias, para daí surgir a decisão mais acertada para o clube. Todos os seus diretores são pequenos, médios e grandes empresários da cidade de Chapecó, um importante polo produtor de frangos e suínos. Outro fator que contribui com o orçamento é o programa sócio-torcedor que conseguiu cadastrar 9.300 participantes.
No ano passado, a “Chape” teve um superávit de R$ 2,8 milhões, um aumento de mais de 200% em relação a 2014. O clube também investe bastante nas categorias de base para gastar menos em contratações. Seu elenco era uma mistura de jovens promessas e atletas experientes, mas sem os famosos “medalhões”, jogadores caros e que exibem mais nome do que bola.
Já o Gama até chegou a conquistar o Candangão de 2015 e ser vice-campeão da Copa Verde em 2016, mas à custa do desfazimento de seu patrimônio (venda de apartamentos). Sua folha de pagamento girava em torno de R$ 250.000,00 por mês e seu elenco praticamente não tinha prata da casa (contrariando a tradição do time que conquistou seus principais títulos utilizando jogadores revelados no clube). A categoria de base do clube, há quase uma década é terceirizada e o clube só recebe dividendos do Volante Sandro (ex-jogador também da Seleção Brasileira), última revelação gamense.
A administração do clube candango era praticamente formada por um homem só: o presidente Tonhão, que sem ouvir seus diretores, tomava todas decisões, que por muitas vezes resultaram em parcerias frustradas.  E um programa de sócio-torcedor com pouco mais de 500 torcedores que se viram desestimulados a participarem, pois as promoções não valiamsequer no próprio Estádio Bezerrão e na lojinha do clube, que só vendia ingressos.
Estádio 
Enquanto o Gama mal consegue administrar seu Centro de Treinamento e utiliza o Estádio Bezerrão (de propriedade do Governo do Distrito Federal) para mandar seu jogos, a “Chape” administra a Arena Condá e são com os recursos do clube que as reformas dos banheiros, vestiários, cabines de imprensa e as despesas de manutenção são custeadas.
Caio Júnior 
Quis o destino que o técnico que levou a Chapecoense para sua melhor participação no Brasileirão e à final do da Copa Sul-Americana também tivesse passado pelo Gama em 2005. Para Caio, sua experiência no time do DF foi decepcionante. Viu um verdadeiro balcão de negócios, dirigentes despreocupados com o presente ou no futuro do clube e mais empenhados em comprar e vender jogadores para atender os interesses de empresários…
Futuro 
As duas equipes têm torcidas fiéis, que fazem de seus estádios verdadeiros caldeirões e merecem receber, em troca de toda sua paixão, várias conquistas, coisa que os Chapecoenses estão tendo. E que os novos dirigentes que assumirem após o triste desastre dêem sequência. Já o nosso Gama está cambaleando nos últimos anos chegando a ser conhecido como um time fora de série… fora das séries A, B, C e D. Mas que o presidente Weber Magalhães, que assumiu neste último domingo, consiga levá-lo para onde nunca deveria ter saído: a elite do futebol brasileiro.

Comentários

comentarios