Weber avalia primeiro campeonato e promete mudanças

A campanha do Gama no estadual de 2017 foi decepcionante para a imensa torcida alviverde. Com planos de chegar na decisão do Candangão deste ano, o time não rendeu o esperado apesar da folha de pagamento ser uma das mais altas do Campeonato. Ao invés de se classificar para as finais e garantir calendário para 2018, o Periquito sofreu problemas internos e acabou eliminado pelo modesto Paracatu nas quartas de final.

Após a eliminação, a Diretoria permaneceu em silêncio. Sequer uma nota oficial foi divulgada para a enfurecida torcida alviverde. O BLOGAMA foi em busca do presidente Weber Magalhães e obteve uma entrevista exclusiva onde ele analisou a campanha do Gama deste ano. No aspecto geral, o presidente alviverde fez uma “mea culpa” e assumiu parte da responsabilidade pelo fracasso.

Sobre a montagem do numeroso elenco, o Presidente alviverde confessa que deixou sob os cuidados do ex-presidente e atual Vice de Futebol Antônio Alves do Nascimento Neto: “Eu estava viajando e quando cheguei o Tonhão (Vice de Futebol) que tinha uma visão do Gama junto com o Reinaldo (Gueldini) e o Paulinho (Araújo) que conhecia os jogadores, eles sabiam do que o Gama precisava. Acho que de repente poderiam ter vindo menos jogadores, poderia. Mas quando eu cheguei de viagem eles já estavam lá. Então se tinha alguém que deveria diminuir o número de jogadores seria o Reinaldo. Mas acabou que ele ficou com todo mundo.”

O Presidente falou sobre os jogadores que foram contratados mas sequer tiveram oportunidade de jogar uma partida pelo Periquito – os meias Carlyle e Tiago Coimbra e o lateral esquerdo Rafinha: “O Carlyle veio para recuperação, estava mal fisicamente inclusive com o joelho operado. Então nós fizemos ali um trabalho até para recuperar o jogador e caso ele estivesse bem nós poderíamos até incorporar. Ele é um bom jogador mas infelizmente não foi aproveitado. E foi o Reinaldo (Gueldini) que pediu o Tiago (Coimbra). Tiago foi a aposta do Reinaldo e eu falei “Reinaldo, você vai trazer o jogador, olha aqui, é um cara que estava parado”. Aposta dele. O Carlyle veio junto com ele pare recuperar e de repente estava crescendo. O Rafinha nós contávamos com ele mas ele só foi recuperar da oitava rodada em diante. Ele estava mancando muito”.

Apesar da folha alta e do excesso de jogadores, o presidente estava satisfeito não com o futebol apresentado mas sim com os resultados. E que a briga generalizada no clássico foi um “divisor de águas” na campanha do Gama no Candangão: “O Gama tinha uma folha alta, muitos jogadores, mas quando eu cheguei fui administrando. Se estava certo ou estava errado não interessa, fui administrando. E o que aconteceu é que o Gama foi liderando (o campeonato) até a última rodada. E antes da última rodada nós tivemos infelizmente aquela situação no Bezerrão que todos, as pessoas têm consciência, que todos prejudicaram o Gama também. Torcida, jogadores, ali foi um divisor de águas muito forte para o Gama. Era uma partida muito importante, uma renda importante para o Gama, aconteceu aquela tragédia onde perdemos o mando de campo. Ruim para a torcida, para os jogadores que brigaram. Ninguém assume. Ninguém sabe o que nós passamos depois daquela briga. Foi muito complicado. Muita gente se aproveitou para arrebentar o Gama, eu com tranquilidade consegui contornar, tive ajuda de um grande advogado que é este menino (Wendel Lopes)”.

Weber falou também que os resultados apresentados pelo Gama deixaram dúvidas se era necessária alguma intervenção no futebol. Discursou também da eliminação do time pelo Paracatu nos pênaltis: “A minha avaliação deste campeonato é de que tínhamos um grande elenco, poderíamos ter trocado o treinador antes? Poderíamos. Isso aí as pessoas às vezes analisam de fora, mas a gente que está dentro analisa de outra forma. A gente vinha ganhando e depois desse jogo com o Brasiliense tropeçamos em virtude de uma série de momentos que a gente teve aí no Campeonato. Perdemos aquela partida para o Sobradinho, empatamos fora com o Ceilândia, mesmo assim fomos para a última rodada com a chance de ser primeiro (lider). Agora, vamos sair num momento muito ruim porque poderíamos ter passado. Nós jogamos muito bem contra o Paracatu, perdemos muitos gols e infelizmente pênaltis…nós tínhamos três jogadores que a própria torcida elogiava bastante (Baiano, Gordo e o Jefferson) perdemos três pênaltis infelizmente acontece, coisas do futebol”.

Weber também comentou sobre o momento em que decidiu pela dispensa do veterano treinador: “Senti que ele estava perdendo um pouco o grupo. Quando nós perdemos para o Paracatu eu senti que estava acontecendo alguma coisa. E conversando com A, B, C e D e a própria diretoria eu achei que ele não tinha condições de ele dirigir o time no jogo de volta. E eu acho que nós acertamos  porque nós ganhamos jogando bem, o time entrou com muita disposição. Infelizmente a bola não entrou. Se tivesse entrado estaria todo mundo elogiando. Mas aí fomos para os pênaltis. Infelizmente faltou um golzinho para passar”.

Sobre os eventuais planos para o futuro, Weber Magalhães está otimista numa recuperação do Gama na próxima temporada. Aposta em um trabalho de preparação ainda nesse ano, na profissionalização do Departamento de Futebol e no reforço da base gamense. Usou até a letra do samba de Beth Carvalho para ilustrar o que fazer: “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima. E com tempo para trabalhar, tem que ter muita mudança. O Gama não pode mais ter ônibus para buscar jogador. Não pode mais pagar hotel para jogador. O Gama não pode mais pagar alimentação pra jogador. Nós temos que ter uma folha enxuta. Não podemos manter uma empresa de material esportivo que não atende a gente. Podemos encher de placas no CT. Eu agora já sei o que temos que fazer. Deixar o CT em condições. Mas tudo isso demanda tempo e o tempo é agora. A base do Gama, sub 15, 17, 20, nós temos que prestigiar a base do Gama porque a base do Gama é o futuro. Nós vamos ajudar a base do Gama a trabalhar com mais profissionalismo. O Corinto e o Ribamar são duas grandes pessoas que podem ajudar a gente somando com quem vai entrar. Eu acho que a base é fundamental. Primeiro que tudo a gente tem que ter um patrocínio para a gente fazer um trabalho sério. Nós vamos implantar um trabalho de gestão profissional que nós não tivemos esse ano. Temos que ter Diretor, Gerente, Executivo de futebol, o Gama não é um time de pelada”.

Para finalizar, o BLOGAMA inquiriu à respeito das promessas de campanha do presidente de que quando assumisse traria empresas para investir no Gama. Apesar das promessas, o Gama acabou o campeonato com uma dívida altíssima de salários atrasados de comissão técnica, funcionários e atletas: “Quando eu assumi tiveram pessoas que garantiram pagariam as despesas do Gama. E no primeiro e segundo mês até pagaram e depois daqueles problemas todos que nós tivemos, essa briga e a perda do mando de campo, algumas empresas, duas ou três que estavam ligados aconteceu deles darem uma recuada. Mas o Gama tem condições de arrumar (Patrocínios). Você não faz idéia de como eu fiquei com as pessoas falando “pode ir” e depois me deixarem na mão. Mas eu tenho certeza de que no futuro nós vamos rir muito disso”.

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